Entrevista com Caroline
Bergerot
E como é seu processo
de criação das receitas? Você adapta
receitas tradicionais, experimenta coisas novas, faz
testes...?
As receitas vegetarianas divulgadas em meus livros são
resultado de idéias que surgiram a partir dos
ingredientes disponíveis e dos “pedidos” dos de
casa.
Venho de descendência francesa, alemã e
italiana, e isso, em termos de alimentação,
já traz uma mistura que permite muita variedade
quando somadas às nossas tradicionais e típicas
receitas brasileiras. Todos em casa apreciam uma boa
cozinha, encaram com competência o fogão,
e isso estimula a criatividade. A vontade de criar à cada
dia vários pratos novos e agradar aos meus, faz
com que surjam sempre receitas diferentes e inéditas.
Sem dúvida, adaptações são
muitas vezes necessárias, principalmente quando
se trata de orientar aqueles que estão passando
por um processo de reestruturação alimentar.
Encontramos aí a vontade de mudar, mas a dificuldade
de se adaptar. Então, nada melhor do que
partir do que já se conhece e ir fazendo as alterações
dentro das necessidades, respeitando-se gostos, culturas
e preferências.
Quem são os "eleitos" que
saboreiam seus pratos, quando ainda estão em
fase de desenvolvimento?
Não tem lugar melhor para eu preparar minhas invenções
que minha própria cozinha. Na verdade tenho duas cozinhas. Uma tradicional,
e a outra, ao lado, que chamamos de “caipira”. Lá é lenha,
panelas de ferro, de barro, de pedra...utensílios que curto muito.Os “eleitos”,
que inclusive me ajudam na “aprovação”, são
os que estão por perto. Convidados, familiares, secretárias...
toda opinião, palpite e sugestão são bem vindos!
Algum dos seus livros já se transformou em best-seller?
Quando em 1999 lançamos “Cozinha Vegetariana, a saúde
e bom gosto em mais de 670 receitas”, não imaginamos que se transformaria
em best-seller e que teria tamanha aceitação. Continua sendo
um sucesso da Editora Cultrix e me traz o ânimo de continuar transmitindo
para as pessoas sugestões e idéias novas e saborosas, inclusive
para os que não são adeptos a uma dieta vegetariana.
Acontece de as pessoas questionarem sua opção alimentar?
E, quando isso acontece, que argumentos você utiliza para defender
seus pontos de vista?
Olha, defender talvez não seja a palavra certa. É claro
que algumas pessoas ainda ficam curiosas sobre esta opção – embora
hoje o vegetarianismo não tenha a mesma conotação que
tinha há alguns anos atrás. Como nutricionista, evidentemente
tenho as explicações necessárias para esclarecer sobre
os benefícios oferecidos ao nosso organismo por uma dieta mais leve,
e rica em alimentos de origem vegetal. Não diria que são argumentos,
pois em nenhuma ocasião senti a necessidade de me justificar ou mesmo
discutir opções. O importante é orientar as pessoas sobre
como se alimentar melhor, sendo ou não vegetarianos.
Que mensagem você gostaria de passar para as pessoas que estão
ingressando no vegetarianismo?
Em primeiro lugar é importante pensarmos na necessidade
de uma alimentação bem equilibrada, seja
vegetariana ou não. Para isso, o acompanhamento
profissional individualizado é valiosíssimo.
Também no ingresso ao vegetarianismo, vemos a
indispensabilidade de orientação adequada.
Não é somente como “substituir a
carne”, mas sim atender as exigências diárias
da pessoa. Como já falei cada caso é um
caso, cada um tem seu ritmo. Assim como radicalizações
precipitadas podem resultar em atitudes efêmeras,
sem nenhum tipo de benefício, outras propostas,
que são sempre adiadas, podem nunca se realizar.
Muitas vezes, a idéia do vegetarianismo chega
aos poucos, suavemente. Vem quando a pessoa começa
a perceber os resultados positivos ao incorporarem mais
alimentos vegetais em sua dieta, como uma pele mais saudável,
um cabelo mais brilhante e uma condição
física melhor, mais disposição.
As razões variam, os motivos são diferentes.
Seja pela busca de uma melhor saúde, seja por
engajamentos filosóficos ou ainda por amor aos
animais, a opção tem que ser consciente
e, sempre, bem orientada.
Como surgiu a idéia para
o seu último livro?
A idéia surgiu quando percebemos a procura das
pessoas por literaturas direcionadas à doença.
Porém percebemos que estamos em busca de materiais
de fácil compreensão e que pudessem utilizar
em seu dia-a-dia. Então foi exatamente isso que
procuramos fazer: levar ao publico um trabalho sério,
embasado em pesquisas, bem explicativo, ou seja, não
dizemos somente quais os melhores alimentos, mas também
o porquê e como incluí-los nas refeições
diárias.
Pessoas que estão passando pelo processo de
tratamento do câncer como cirurgia, radioterapia, quimioterapia
encontram auxilio neste livro?
Essas pessoas, pelo o que vimos, têm um resultado
muito positivo quando acompanhados nutricionalmente.
Sabemos que a depressão, o uso de medicamentos
e vários outros fatores, alteram muito todo o
processo gastrintestinal.
Com o câncer a necessidade calórica aumenta
e em contrapartida a aceitabilidade diminui. É comum
alguns pacientes rejeitarem, por exemplo, a proteína
(principalmente carnes), e, ao mesmo tempo, sabemos que
a proteína é de extrema importância
na recomposição celular. No livro
sugerimos alimentos e receitas, nos cardápios,
que as pessoas poderão se beneficiar, junto com
a opinião de seu médico.
Em que pesquisas você se
baseou para estabelecer uma relação entre
a alimentação e a ocorrência de
câncer?
Nosso trabalho não procura revolucionar nenhum
tipo de tratamento conhecido. Trata-se simplesmente de
uma colaboração buscada entre as propriedades
nutricionais encontradas nos vegetais, para auxiliar
na prevenção e no tratamento da doença. É sempre
importante repetir que cada caso é um caso e que
o acompanhamento conjunto do médico e do nutricionista
são indispensáveis. As pesquisas e trabalhos
científicos que nos acompanharam encontram-se
nas constantes referências citadas e nas noventa
e nove obras relacionadas na bibliografia.
Usamos uma linguagem atual, para leigos, para pessoas
que querem viver melhor e não necessariamente
para profissionais, optando portanto não
por uma linguagem científica, justamente para
que todos os tipos de leitores possam acompanhar
Como sabemos, não existem regras absolutas para
o tratamento ou a prevenção da doença,
mas existem possibilidades de se buscar auxílios
valiosos em ambos os casos. Para quem está em
tratamento, sugerimos levar o livro ao seu médico
para que haja um aconselhamento especial para seu caso.
O que inspirou você para
a elaboração do livro? Algum caso de
câncer que tenha afetado uma pessoa próxima,
a leitura de alguma obra em especial?
Foi a observação do crescente número
de casos de câncer. Atenta a cada noticia, a cada
reportagem, a cada relato e depoimento de pessoas que
têm ou tiveram essa doença, fui percebendo
a falta de informação sobre a contribuição
encontrada nos alimentos, tanto na prevenção
quanto como elemento participante do tratamento.
É muito comum vermos pessoas em tratamento que, com uma alimentação
direcionada, específica para o caso, podem ter uma nova disposição,
receber uma colaboração inestimável. A união do
nutricionista com o médico, sem dúvida pode oferecer grandes
resultados positivos para o paciente.
Dê-nos alguns exemplos de dicas valiosas que os leitores vão
encontrar no seu livro.
No livro “CANCER, o poder da alimentação
na prevenção e tratamento”, abordamos
os principais fatores que podem levar à doença
e porquê. Explicamos o que são nutrientes,
como agem e porque são benéficos. Mostramos
também quais alimentos são mais ricos nos
nutrientes favoráveis à prevenção
do câncer, apresentando tabelas e valores necessários.
Por fim sugerimos uma dieta de 28 dias, com as seis refeições
diárias. São mais de 400 receitas.
Resumindo, achamos importante apresentar, ao público
interessado, o que faz mal, o que faz bem, os porquês,
e como utilizar alimentos que fazem bem.
E-mail de contato com a autora: pensamento@cultrix.com.br |