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Cozinhando Sem Crueldade
Autora: Ana Maria Curcelli

Este é um dos mais interessantes e completos livros sobre a culinária vegana. Também é um livro fundamental para as pessoas interessadas numa alimentação saudável, saborosa e "eticamente" correta.




Autor: Dr. Eric Slywitch

Este é o primeiro livro que ensina como montar o cardápio vegetariano através dos grupos alimentares, para qualquer tipo de dieta
vegetariana, 100%
embasado em artigos
científicos.


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foto: Paulo Maluhy

Conheça os livros da autora
Fotos da autora na bienal do livro 2006
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Entrevistas
Caroline Bergerot
Dr. Eric Slywitch
Gary L. Francione
Guilherme Sanchez Panico
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  Carne/Produtos Animais “Felizes”
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Crianças vegetarianas 2
Vegano saia do armário!
Nutrição

  12/08/2006

Entrevista com
Caroline Bergerot


Caroline Bergerot é paulistana, escritora e autora de 23 livros pela Editora Cultrix. Formada em Nutrição e especializada em Nutrição Clínica, direciona seus estudos à oncologia – seu mais recente livro aborda o tema. É vegetariana há 18 anos e faz parte do corpo técnico da ONG sócio-ambiental Oca Brasil.


Você é vegetariana há quanto tempo?

Sou vegetariana desde os 11 anos de idade, quando minha família inteira mudou a alimentação, devido a uma conscientização sobre os benefícios de uma dieta livre de produtos derivados de animais, principalmente as carnes. Foi uma opção dos meus pais, na realidade, que sempre estudaram muita filosofia oriental e ocidental e tinham grande afinidade com a macrobiótica e com a exclusão de carnes da dieta. Na época não era uma prática muito comum, e não haviam médicos e nutricionistas especializados, como há hoje, para orientarem até que ponto crianças com menos de 11 anos conseguiria seu perfeito desenvolvimento. Hoje as coisas são diferentes, temos mais acesso às pesquisas científicas e podemos contar com ajuda de profissionais da área da saúde.

E que linha do vegetarianismo você segue? Lacto, ovo-lacto, vegana...?

Trabalho em cima de uma linha vegana, não incluindo nas receitas qualquer produto animal (ovos, leite e laticínios e carnes em geral). Elaboro dietas e receitas buscando sempre uma proximidade com os hábitos comuns das pessoas, uma elaboração simples e enfatizo a importância de termos à mesa pratos gostosos, bonitos, saudáveis e atraentes, sempre: mesmo para os que não compartilham da idéia de abrir mão dos produtos animais.

No entanto, para uma transição alimentar, as pessoas têm que saber ir gradativamente adequando a nova dieta ao seu paladar e aos seus hábitos. Cada pessoa tem um processo e devemos sempre respeitar nossas etapas e as etapas alheias.

Você toma algum suplemento (B12, por exemplo)?

Acho importante, sim, haver a suplementação da vitamina B12, no caso dos vegetarianos restritos (veganos) uma vez que não a encontramos em fontes vegetais – não estão incluídos, é claro,  os ovo-lacto-vegetarianos.

Porém não recomendo a auto suplementação. É muito importante que as pessoas procurem profissionais capacitados para as orientar, vegetarianos ou não, pois é de extrema importância avaliar a qualidade de nossa a dieta, principalmente, a qualidade dos alimentos que estamos ingerindo.
Para meu caso especifico, faço minha dieta balanceada, procurando equilibrar a quantidade necessária de todos os nutrientes.

Quais foram os motivos que levaram você a se tornar vegetariana?

 Meus pais sempre estudaram muito. Minha mãe é artista plástica e filósofa, meu pai engenheiro, que acabou de lançar um livro de ficção filosófica, no qual aborda a busca de um cientista por “algo mais”. Ambos sempre se interessaram por vida saudável, e o alinhamento dos corpos – físico, emocional e mental. Em 1988, quando então eu tinha 11 anos, eles retiraram da alimentação os produtos de origem animal e buscaram adotar um estilo de vida diferente, no qual pudessem alcançar, ou pelo menos chegar perto, de tal alinhamento. A opção dos filhos – inclusive minha – de segui-los, foi voluntária e espontânea. A certeza com que eles nos passaram a idéia do vegetarianismo fez com que não sentíssemos dúvidas na escolha.



Parece que você tem um forte viés espiritualista. Você gostaria de falar um pouco sobre a ligação entre a nossa natureza espiritual e o tipo de alimento que ingerimos?

Um alinhamento espiritual, independentemente da opção religiosa, conta em grande parte com o estado do nosso corpo físico, mental e emocional. Uma alimentação livre de sangue e de violência contribui, e muito, para este processo, ajudando na busca de uma conscientização sobre o momento planetário. Não digo, absolutamente, que o indivíduo vegetariano seja “mais”, ou “melhor” e muito menos que consiga um plus espiritual, ou ainda que, pretensamente seja mais evoluído. Evolução e caminho espiritual são processos muito íntimos, que cada um carrega dentro de si.

Fisiologicamente, conhecemos o que é termos um pedaço de carne no estômago para digerir: o processo é lento, são liberadas enzimas (dentre elas uma chamada cadaverina) para o auxilio da digestão; nos sentimos lerdos, ingerimos muita gordura saturada, o que também não é saudável; o intestino se torna preguiçoso, as fezes mais endurecidas e fétidas. Para muitos, todo esse processo pode ser adiantado, adotando uma alimentação vegetariana.

Acredito muito na energia dos alimentos e a influência que podemos sofrer com ela. Antes do bife virar bife, infelizmente temos um processo muito cruel, doloroso, triste. Os animais, já no pasto, têm uma vida difícil. Não é um tratamento suave. Ao serem transportados, em caminhões, sofrem (tomam choque para não sentarem pois a carne pode escurecer); antes de serem mortos, ainda na fila, percebem o que “está se passando”! No momento de serem abatidos, escorrem lágrimas e de longe se escutam os mugidos... nessa hora o animal libera hormônios de dor e medo. E isso vai para o prato.

Como já disse, cada um de nós faz suas escolhas, segue seus processos. Evidentemente não critico a opção de ninguém, pois cada um de nós tem necessidades e condutas de pensamento pessoais, mas é importante termos consciência do que estamos ingerindo e dos benefícios, ou malefícios, que determinados alimentos podem nos trazer.

Você tem um livro só com receitas à base de soja. Não é um desafio muito grande encampar um projeto como este, num país que é o maior produtor do mundo de carne bovina?

Assim como somos grandes produtores de carne, somos também de soja. Atualmente as propriedades da soja estão sendo muito reconhecidas. Como alimento e como medicamento (como há séculos já são, para os orientais).
A soja é uma leguminosa indubitavelmente muito rica. Possui aminoácidos e propriedades terapêuticas reconhecidamente benéficas para o organismo. Muitos produtos derivados da soja servem como substitutos de produtos animais, auxiliando e complementando refeições, não apenas nos lares vegetarianos.  É crescente o número de produtos que surgem no mercado, à base de soja, auxiliando o consumidor, tanto nas cozinhas industriais como nas residenciais. Numa dieta vegetariana o uso da soja pode ser de grande auxilio e é crescente o número de pessoas (vegetarianas ou não) sobre as propriedades da soja e buscando informações de como utilizá-la. A idéia do livro é justamente dar idéias e orientar na preparação de pratos saudáveis, e – fator indispensável – saborosos.

Continuar
(segunda parte da entrevista)


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