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Reflexão à Equanimidade
Um assunto é entendido por cada pessoa conforme a compreensão que ela desenvolve em sua própria mente. Quando uma pessoa compreende certas coisas melhor do que outra, aí está uma evidência que o entendimento varia de pessoa para pessoa como a subida numa escada através de seus respectivos degraus. Neste contexto, os degraus representam os níveis de compreensão que cada um pode ter de acordo com a evolução na escada da reflexão! Pegando a carona dessa explicação: como poderia o conhecimento ser proveitoso para alguém que não o coloca em prática? Será que é justo adquirir conhecimento sem praticá-lo? Aqueles que realmente querem melhorar a sua vida e a vida alheia, não vivem apenas de teorias, no entanto, procuram, na medida do possível, é claro, praticar o que aprenderam – eis uma aplicação coerente de aprendizado.
Nada melhor que ter mente aberta à equanimidade. Neste sentido, é preferível termos a mente como um pára-quedas, pois quanto mais aberto, melhor a descida e o pouso, embora a segurança do pouso também dependa de algumas técnicas para que o pára-quedista pise com segurança na aterrissagem. Porém, viver com a mente fechada à transformação interior é um equívoco e cristaliza as atividades mentais, impossibilitando a pessoa de ter mais lucidez – diga-se sem reservas! Vale ressaltar que a mente de vez em quando “mente”, portanto, não vale ter a mente aberta a pensamentos negativos nem a influências comportamentais desequilibradas...
Caro leitor(a), quando você ingere produtos de origem animal, usa vestimentas ou objetos que contenham couro animal, usa produtos testados em animais, tu tens consciência de que efeitos sua escolha tem sobre a sua vida? E a vida dos animais? Por que aceitar facilmente certos costumes antiéticos sem questioná-los? Por que comer carne de frango, vaca ou porco enquanto inúmeras pessoas cuidam de gatos, cachorros e pássaros como animais domésticos? Todos os animais sofrem. Mediante tal raciocínio, por que não deveríamos confrontar a sociedade moderna, substituindo a alimentação cárnea pela vegetariana, substituindo as vestimentas e os objetos de couro animal por de couro vegetal, substituindo os produtos testados em animais por produtos que passaram por testes substitutivos? O materialismo nos impõe um aglomerado de costumes antiéticos e várias pessoas os aceitam de uma maneira tão passiva. Os animais que uma pessoa supostamente civilizada não se atreveria a comer aqui no Brasil, como, por ex.: cães, servem, quando mortos, para encher a pança dos chineses. Entretanto, os restos cadavéricos de vacas, levando em consideração o mesmo raciocínio, servem também, quando mortos, para encher a barriga dos brasileiros. Será que isso é correto, já que qualquer animal é suscetível à dor e a outras sensibilidades intoleráveis? Assim como um indiano não concorda como os brasileiros tratam as vacas, da mesma maneira, os brasileiros não concordam como os chineses tratam os cães. E quem tem a razão nisso tudo? Somente aqueles que tratam com “equanimidade” os seres vivos. Será que pensar nessa questão é tão incômodo para não nos importarmos com isto e deixarmos esta reflexão pra lá? Ou não seria melhor deixarmos pra lá o comodismo de não refletir com agudeza crítica sobre esta questão?
No passado, existiram pessoas muito inteligentes que falaram sobre essa questão com competência e franqueza, mostrando bom exemplo de conduta ética:
“Se o homem quer liberdade, por que manter aves e animais em gaiolas? Realmente, o homem é o rei dos bichos, pois sua brutalidade ultrapassa a deles. Vivemos pela morte dos outros. Somos cemitérios ambulantes! Desde pequeno repudiei o uso da carne, e um dia os homens considerarão, como eu, a matança dos animais como hoje julgam o assassinato de um homem.” (Leonardo Da Vinci)
Desejar bondade para os seres humanos sem desejar o mesmo para os nossos irmãos planetários – os animais – é um condicionamento cristalizado pelos costumes materialistas que a sociedade moderna nos impõe goela abaixo. É importante vivermos sem fraudes alimentícias, sem embustes de costumes ultrapassados e sem corrupção de testes laboratoriais. A equanimidade é uma qualidade nobre por excelência!
Por Charles de Freitas Lima (Professor de Educação Física).
E-mail: charles@guiavegano.com
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