Resposta de Lindsay Allen
Devido ao grande volume de correspondência, não tenho tempo para
responder-lhe com uma longa carta. Sim, trabalho há 25 anos com
populações em que as deficiências de micronutrientes são comuns
porque há insuficiência de alimentos de origem animal na dieta e, em
conseqüência, mães e filhos sofrem problemas graves. Ninguém que
trabalhe internacionalmente com nutrição discordaria disso; o
problema é a má qualidade da comida, não a quantidade; e se esta
afirmação for verdadeira, a primeira também será.
No entanto, acredito que o vínculo com nosso estudo na África não
seja forte e preferíamos ter falado sobre aquele estudo, mas o
interesse do repórter eram os veganos, já que, aparentemente, estes
são material melhor para a imprensa (não na minha opinião, é claro.)
A razão de ter feito o estudo na África foi que, de um lado, estou
cheia da atitude "basta que tomem pílulas para conseguir
micronutrientes" que, por uma ou outra razão (naturalmente bem
intencionada), tem caracterizado as intervenções nestas populações
nos últimos 20 anos. Eu mesma fiz várias dessas intervenções.
O repórter "exagerou" minha preocupação com as dietas veganas para
mães grávidas e em lactação e para lactentes/crianças e não
acrescentou a frase que exigi que inserisse, ou seja, que as dietas
veganas são anti-éticas, A MENOS que seus praticantes estejam bem
informados sobre como adicionar os nutrientes inexistentes através
de suplementos ou alimentos fortificados (que, infelizmente, os
povos da África não têm).
Concordo inteiramente que é possível acrescentar esses
micronutrientes que faltam e já afirmei isso num artigo sobre
nutrição durante a gravidez que redigi para a American Dietetic
Association.
Concordo também que as dietas veganas bem planejadas, com
suplementos e alimentos fortificados para obter estes nutrientes que
faltam, são provavelmente mais saudáveis para os adultos e até para
muitas crianças do que a dieta média dos EUA ou do Reino Unido.
A parte mais alarmante desta experiência foi o volume espantoso de
desinformação que os veganos me transmitiram em resposta aos meus
comentários (definitivamente exagerados e mal interpretados). Espero
que esta questão seja ESTUDADA com responsabilidade para que
possamos todos nos tranqüilizar.
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Tradução: Beatriz Medina
e-mail: beatriz@guiavegano.com
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